sábado, 3 de outubro de 2026

Tocar O Infinito

As crianças correm  de um lado para o outro da rua de terra. Empinam suas arraias de cores variadas sob o céu azul de verão. Como quem tem todo o tempo do mundo e o futuro desimpedido, brincam, riem, gritam, alegram-se.

Otoniel observa. De sua calçada, só, de sandália e bermuda, sorri. Por um instante, sente-se novamente criança e lembra que também teve seus dias de inocência. Não lamenta, obviamente. Em nome do azul daquela arraia mais alta que o faz tocar o infinito, estrangula, docemente, aquela lágrima que rolaria por sua face. E sabe que a vida é esse agridoce de ganhar e perder enquanto o tempo costura sua trança de mistério.