Julinho, 5 anos de idade, encontrou um pequeno réptil, um calango. E, com sorte, pois o bichinho não fugiu, como costumam fazer os calangos. Disse Julinho: qual o seu nome? O animalzinho não respondeu. Ele repetiu a pergunta e novamente o calango nada disse. Sua falta de resposta causou estranheza a Julinho, embora ele nunca tivesse pensado que os animais falassem, tampouco viu algum falar. Triste, mas mais ainda curioso, perguntou-se, com seu jeito de criança, sobre o que se ouviria se os animais falassem a língua humana. Sem resposta, buscou os olhos do animalzinho como possibilidade de comunicação e ali descobriu também a curiosidade, o calanguinho olhava como quem, deslumbrado e igualmente e assustado, tem a mesma alma da criança, na inocência dos que assim olham o mundo.