terça-feira, 6 de outubro de 2026

O Compulsivo Cantor

Amadeu tinha ímpetos de cantar. Não era simplesmente gosto por cantar, mas uma compulsão que lhe surgira nos últimos cinco anos. Um dia, de repente, quando estava na fila do banco, veio-lhe o impulso, o que o deixou profundamente nervoso, quase tendo um ataque. A partir daí, vez ou outra, acontecia e ele não segurava: cantava, cantava, abrindo os braços, com emoção, no meio da rua ou em casa. O ruim era ser uma imposição orgânica que acontecia quando bem queria, independente de sua vontade. As pessoas se surpreendiam, até porque Amadeu fazia uma cara entre satisfeito e contrariado. Consultou médicos, psicólogos, mas ninguém conseguiu ajudá-lo. Até encontrar a cigana Beatriz, cartomante mística que lhe disse: "filho, cante e seja feliz!" Assim, ele relaxou e passou a se entregar aos impulsos quando eles aconteciam. Descobriu aí uma forma de exercício d'alma e autoaceitação. Voltou inclusive a sorrir.